Quem viveu os anos 1990 provavelmente reconhece de longe: a tiara zigue-zague está de volta. O acessório reapareceu nas passarelas da Miu Miu e ganhou força na Paris Fashion Week. De lá, foi parar na cabeça de nomes como Hailey Bieber, Gigi Hadid e Ella Bright.
Não é difícil entender o sucesso. A tiara zigue-zague é prática, combina com vários estilos e, em poucos segundos, tira o cabelo do rosto e já deixa o visual pronto. Para quem não tem tempo ou paciência para fazer um penteado elaborado, ajuda bastante.
Só que existe um porém. Dependendo do material, da pressão que ela faz na cabeça e da frequência de uso, a tiara pode causar atrito, quebrar os fios e incomodar o couro cabeludo. Quando a tensão é muito forte e acontece o tempo todo, ela também pode contribuir para a alopecia de tração, uma condição ligada ao enfraquecimento dos folículos, que são as “casinhas” de onde o cabelo nasce.
Isso quer dizer que você precisa guardar a sua tiara? Não. Cinco especialistas deram dicas para usar o acessório com mais segurança. Então, vem conferir.
1. Cuidado com a tiara zigue-zague muito apertada
O primeiro passo é prestar atenção em como o acessório fica na sua cabeça. Modelos muito rígidos podem incomodar e concentrar a pressão na frente da cabeça e nas têmporas. O uso de vez em quando não costuma ser suficiente para prejudicar, mas repetir penteados que puxam demais os fios pode favorecer a alopecia de tração.
Quem alerta é o Dr. Vlassios Marangos, especialista em queda de cabelo e transplante capilar:
“A alopecia de tração é silenciosa e progressiva. Se o couro cabeludo é constantemente tensionado, o folículo pode sofrer danos permanentes. O ideal é evitar acessórios que provoquem dor ou deixem os fios excessivamente esticados”, explica.
2. Fios com química pedem mais atenção

Cabelo descolorido, alisado ou que passa muito por chapinha e secador costuma ficar mais frágil. Nesses casos, os dentinhos da tiara podem causar atrito e favorecer a quebra, principalmente se você coloca ou tira o acessório com pressa.
A fisioterapeuta dermatofuncional e tricologista Michelle Vianna reforça que o cuidado precisa acompanhar o momento do fio:
“O cabelo muda e o cuidado também precisa acompanhar esse momento. Um fio que passou por procedimentos químicos pode estar mais sensibilizado e exigir atenção especial ao uso de acessórios. A tiara não precisa ser proibida, mas é importante escolher modelos confortáveis, com bom acabamento, e evitar movimentos que provoquem atrito excessivo”, explica.
Isso também tem respaldo em pesquisa. Uma revisão publicada no Journal of the American Academy of Dermatology concluiu que cabelos sem química e sem processamento resistem melhor à tração, ao puxão e à escovação, o que reduz o risco de alopecia de tração, independentemente do penteado.
3. Não use sempre na mesma posição
Outra dica importante é não deixar a pressão sempre no mesmo ponto. Se você usa a tiara zigue-zague todos os dias, ou qualquer outro acessório, combinado com penteados bem esticados, os fios perto da testa podem sofrer um desgaste maior.
A terapeuta capilar Odila Martins explica onde está o risco:
“O problema é a repetição diária de penteados muito apertados. A tração constante pode contribuir para a quebra e, em determinadas situações, comprometer a saúde capilar. O ideal é alternar os penteados, evitar acessórios que pressionem demais e observar se aparecem fios quebrados ou sensibilidade no couro cabeludo”, orienta.
4. Quebra não é a mesma coisa que queda

Achou fios presos na tiara zigue-zague? Calma. Isso não quer dizer, necessariamente, que o cabelo caiu pela raiz. Às vezes o fio simplesmente quebrou por causa do atrito, principalmente se já estava fragilizado. Já falhas, afinamento que vai aumentando ou menos volume podem indicar condições que precisam de avaliação especializada.
O cirurgião plástico Dr. Alan Wells, especialista em transplante capilar, explica a diferença entra queda e quebra:
“O crescimento acontece no folículo, mas o comprimento do cabelo acumula exposição ao longo do tempo. Calor, químicas e tração podem comprometer a resistência da fibra. Quando aparecem falhas ou afinamento persistente, é importante investigar se estamos diante de quebra ou de uma alteração que envolve o próprio folículo”, diz.
Esse cuidado faz sentido porque a alopecia de tração não é a única causa de queda. Material educativo ligado à Universidade de Indiana lembra que ela é diferente da queda hereditária e de outras causas de perda de cabelo. Portanto é fundamental seguir a orientação de um médico.
5. Fique atenta aos sinais de alerta
Dor ao usar a tiara zigue-zague ou qualquer outro acessório, vermelhidão, coceira que não passa, sensibilidade e mais quebra são sinais para não ignorar. Escolher um modelo com dentes arredondados, estrutura flexível e tamanho adequado ajuda a reduzir o atrito e deixa o penteado mais confortável.
A Dra. Karla Fonseca lembra que a queda de cabelo pode ter diferentes causas e que nem sempre ela está ligada apenas ao acessório usado, como a tiara zigue-zague. Por isso, segundo a especialista, é preciso investigar o couro cabeludo, o ciclo dos fios e outros fatores possíveis. Quando existe quebra frequente ou rarefação em uma região, ela destaca que a avaliação individualizada é fundamental para identificar o problema e orientar os cuidados adequados.
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A tiara zigue-zague não precisa virar vilã. A moda volta, a nostalgia é boa, e dá para entrar na onda sem prejudicar o cabelo. O segredo está em ouvir o próprio corpo: escolha um modelo confortável, não aperte demais, varie os penteados e repare se o couro cabeludo dá algum sinal de desconforto.
O acessório pode até ser tendência passageira, mas a saúde dos fios continua sendo prioridade.
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