A palavra alopecia passou a circular com muito mais frequência nas últimas semanas nas redes sociais e nos consultórios médicos. Pois a influenciadora e empresária Virginia Fonseca, compartilhou publicamente ter recebido o diagnóstico de alopecia areata. Essa é uma doença autoimune que provoca a queda de cabelo em regiões específicas do corpo. O desabafo virou manchete. Mas também abriu espaço para uma conversa importante: o que é exatamente essa condição, quem ela afeta e o que fazer para trata-la?
A resposta não é simples, mas é possível. E entender a doença é o primeiro passo para lidar com ela.
Quando o próprio corpo se torna o inimigo dos fios

A alopecia areata é classificada como uma doença autoimune. Então, isso significa que o sistema imunológico, que deveria proteger o organismo de agentes externos, começa a atacar estruturas do próprio corpo. No caso dessa doença, o alvo são os folículos capilares. São pequenas estruturas responsáveis pela produção dos fios de cabelo.
Segundo o especialista em implante capilar Dr. Cleber Stuque, esse mecanismo interrompe o ciclo natural de crescimento dos fios. Por isso, acabam surgindo falhas visíveis. O dermatologista destaca que a condição pode se manifestar de maneiras distintas em cada paciente. Há casos leves, com pequenas áreas de calvície, e situações mais extensas, nas quais a perda abrange grandes regiões do couro cabeludo ou até outras partes do corpo, como sobrancelhas, barba e cílios.
“Com maior visibilidade após o relato de Virginia Fonseca, é necessário destacar a importância da informação de qualidade e do diagnóstico precoce, fatores fundamentais para um tratamento mais eficaz e para reduzir o estigma em torno da condição”, afirma o Dr. Stuque.
Como reconhecer os primeiros sinais

As características da alopecia areata costuma ser falhas arredondadas, bem delimitadas e surgem de maneira bastante repentina. Muitas pessoas descobrem a condição ao notar uma área sem cabelo que simplesmente não estava ali alguns dias antes. Não há dor, coceira ou inflamação perceptível. Portanto, isso torna o diagnóstico ainda mais impactante, por ser inesperado.
De acordo com o Dr. Cleber Stuque, o principal sinal clínico é exatamente esse padrão de queda em placas arredondadas, que podem aparecer de forma isolada ou se multiplicar ao longo do tempo. Em alguns pacientes, a doença tem caráter recorrente, ou seja, há um período de melhora, que se alternam com novas fases de queda. O diagnóstico é feito por dermatologistas, por meio de avaliação clínica, e pode ser complementado por exames específicos quando necessário.
O que desencadeia a alopecia areata?
A ciência ainda não chegou a uma resposta definitiva sobre por que alguns organismos desenvolvem essa reação autoimune. No entanto, o especialista aponta que certos fatores aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença. A predisposição genética é um deles: pessoas com histórico familiar de alopecia areata ou de outras condições autoimunes carregam um risco potencialmente maior.
O estresse emocional também é um dos possíveis gatilhos. Embora não seja uma causa direta, situações de grande pressão psicológica podem atuar como elementos desencadeadores ou agravantes do quadro em pessoas já suscetíveis. Esse ponto é especialmente relevante no contexto atual, em que muitas pessoas vivem sob carga emocional elevada e nem sempre associam sintomas físicos ao estado mental.
Há tratamento para a alopecia areata?

Embora a alopecia areata não tenha cura definitiva conhecida até o momento, há boas notícias. O Dr. Cleber Stuque explica que, em muitos pacientes, o cabelo pode voltar a crescer espontaneamente. O papel do tratamento, portanto, é acelerar esse processo de recuperação e reduzir a frequência e a intensidade de novas quedas.
Entre as opções mais utilizadas estão os corticoides, que podem ser administrados de forma tópica, que são aplicados diretamente sobre a área afetada, ou por meio de injeções locais. Para casos mais extensos ou que não respondem bem a esse tipo de medicação, existem opções como a imunoterapia tópica.
A escolha do tratamento mais adequado depende de uma avaliação individualizada, levando em conta a extensão da perda, o histórico do paciente e sua resposta a tratamentos anteriores. Por isso, a orientação médica especializada é insubstituível.
Além do espelho: o impacto emocional da alopecia areata na vida das mulheres
Falar sobre queda de cabelo é, inevitavelmente, falar sobre autoestima, identidade e bem-estar. Afinal, o cabelo está diretamente ligado a beleza e feminilidade. Então, perder os fios de forma inesperada, em áreas visíveis, pode abalar profundamente o emocional.
O Dr. Stuque ressalta que o acompanhamento médico vai além do controle dos sintomas físicos. Pois inclui orientar o paciente sobre a evolução da doença. Mas também acolher as inseguranças geradas pelo processo e, quando necessário, recomendar suporte psicológico complementar. A alopecia areata é uma doença crônica, e viver bem com ela requer mais do que remédios. É necessário informação, suporte e acolhimento.
Virginia Fonseca e o papel da visibilidade
Quando uma pessoa como a Virginia Fonseca, com milhões de seguidores no Instagram, compartilha seu diagnóstico da alopecia areata, isso é muito mais que likes. Pois essa visibilidade para a doença pode encorajar outras mulheres a buscarem ajuda e apoio profissional. Mas também, ajuda a combater o preconceito sobre a aparência.
Alopecia areata pode acontecer com qualquer pessoa, independentemente de gênero, situação social ou idade. É uma doença que precisa ser tratada com seriedade e respeito com quem enfrenta a condição.
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