Na CHARME-SE, a gente sempre fala que autocuidado começa com atenção aos sinais do corpo. E, pensando nisso, vale lembrar que o câncer de pele continua sendo o tipo de tumor maligno mais frequente no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele representa cerca de 30% dos tumores malignos registrados no país.
Mas vale ressaltar que quando a descoberta acontece cedo, as chances de tratamento simples e recuperação são muito maiores. Ou seja, o quanto antes você observa uma pinta diferente ou uma mancha que mudou de cor, mais leve tende a ser o caminho. No entanto, quando há demora para ir ao dermatologista ou há orientação inadequada, o risco é maior. Pois, casos que poderiam ser resolvidos de forma mais simples acabam exigindo cirurgias maiores e trazem mais riscos e impactos na qualidade de vida.
Busca tardia por dermatologista faz casos de câncer de pele chegarem mais avançados

Além disso, os números recentes acendem um novo sinal de alerta. Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os registros saltaram de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024. Portanto, o crescimento chama atenção e reforça a importância de falar sobre prevenção de forma clara e acessível.
Embora a maior concentração ainda esteja nas regiões Sul e Sudeste, também há aumento em estados do Norte e Nordeste, como Rondônia e Ceará. Então, fica evidente que informação e acesso ao dermatologista precisam chegar a todos. Afinal, cuidar da pele não é apenas uma questão estética; mas também é um ato de amor-próprio e proteção da sua saúde.
De acordo com o Dr. Matheus Rocha, dermatologista, que atua com diagnóstico e cirurgia do câncer de pele, o problema pode começar na escolha do médico. Pois alguns pacientes costumam consultar primeiro com um oncologista, por exemplo, e isso pode gerar atrasos no diagnóstico.
“O câncer de pele não deve ser encarado como preocupação estética. A avaliação por um dermatologista, preferencialmente aqueles que trabalham no reconhecimento e tratamento em doenças da pele. Uma coisa é o paciente negligenciar a procura pelo atendimento; outra coisa é ele procurar atendimento e o médico subestimar a queixa”, ressalta Dr Matheus.
Câncer de pele tem cura?

Além disso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia chama atenção para um ponto delicado: o acesso desigual ao especialista. Segundo dados divulgados pela entidade, quem depende do SUS encontra, em média, 2,6 vezes mais dificuldade para conseguir consulta com dermatologista do que quem utiliza a rede privada. Como consequência, o tempo até o diagnóstico se alonga e, assim, o início do tratamento também pode demorar mais do que deveria.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde reforça uma informação que muda tudo: quando o câncer de pele é descoberto logo no começo, as chances de cura ultrapassam 90%. Ou seja, informação, acesso e atenção aos sinais da pele fazem toda a diferença. Por isso, olhar para si com carinho, observar mudanças e buscar avaliação médica o quanto antes não é exagero, é autocuidado de verdade.
“as lesões do câncer de pele se iniciam pequenas, como se fossem pequenas feridas, sinais ou pintas sobre a pele e o atraso se soma ao risco clínico: tumores que poderiam ter resolução simples passam a exigir procedimentos maiores”, alerta o Dr.
Por que esse câncer aparece com tanta frequência?

O Dr. explica que a pele fica mais exposta ao sol. “A radiação ultravioleta faz com que a célula desenvolva mutações. Ela perde a capacidade de regulação e vira uma lesão, um nódulo, uma ferida, e começa a sangrar”, e completa, “protetor solar é muito caro para grande parcela da população”. Além disso, o uso incorreto também é um fator preocupante. Muitas pessoas que trabalham ao ar livre como carteiros e ambulantes estão suscetíveis.
os principais tipos de câncer de pele ajuda a perceber sinais cedo e agir com rapidez.
- Carcinoma basocelular: é o tipo mais comum. Geralmente aparece em áreas que pegam muito sol, como rosto e pescoço. Pode surgir como uma lesão brilhante, um pequeno nódulo ou até uma ferida que sangra e não cicatriza. Embora cresça devagar, precisa de avaliação.
- Carcinoma espinocelular: costuma se apresentar como mancha avermelhada, área descamativa ou ferida mais grossa que não fecha. Quando há demora no cuidado, pode avançar mais profundamente. Portanto, atenção redobrada aos sinais persistentes.
- Melanoma: é menos frequente, porém mais agressivo. Normalmente surge como pinta ou mancha que muda de cor, formato ou tamanho. Assim, qualquer alteração visível merece consulta rápida com dermatologista.
“Quando o câncer de pele é reconhecido cedo, buscamos intervenções menos invasivas. Quanto mais tardio o diagnóstico, maior a chance de procedimentos extensos”. Com isso, o médico alerta que é fundamental começar com exame detalhado no dermatologista e, se necessário, a biopsia.
“diagnóstico cedo significa menos mutilações, menor impacto no sistema de saúde e maior chance de cura”, finaliza Dr. Matheus.
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