Se você sente cólicas fortes há anos e sempre ouviu que isso é “normal”, talvez seja hora de rever isso. Afinal, a endometriose é uma doença em que um tecido parecido com o revestimento interno do útero se desenvolve em lugares onde não deveria. Além disso, é uma das condições que mais demoram para ser diagnosticada.
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, estima-se que mais de 190 milhões de mulheres vivam com a doença ao redor do planeta. No Brasil, a situação é igualmente preocupante, e uma das maiores queixas de especialistas é justamente o tempo que se leva até chegar a um diagnóstico correto. Pois muitas vezes, são anos de sofrimento antes de qualquer resposta.

Pequenas lesões podem causar dores incapacitantes dependendo da localização, enquanto lesões mais extensas podem, em casos raros, ser completamente assintomáticas.”
— Dra. Nataly Campos, ginecologista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco
Por isso, não se deve usar a dor como base para o diagnóstico. Isso significa que, mesmo sem sintomas devastadores, uma mulher pode estar com a endometriose avançada. Mas outra pode ter lesões pequenas e, ainda assim, mal conseguir levantar da cama durante o período menstrual.
Por que o diagnóstico da endometriose pode demorar?

Durante muito tempo a dor foi normalizada até pela sociedade médica. Então, por isso, muitas mulheres ainda demoram para buscar ajuda especializada.
Segundo a Dra. Nataly Campos, quando a endometriose finalmente é identificada, em vários casos já se encontra em estágio avançado. Quanto mais tarde o diagnóstico chega, menores podem ser as chances de uma gestação espontânea.
Fique atenta: sinais que merecem atenção
- Dor durante a relação sexual
- Cólicas fora do período menstrual
- Dor nas pernas, especialmente à esquerda
- Alterações intestinais ou urinárias no ciclo
- Fadiga crônica e sem explicação aparente
- Dor pélvica persistente
E a fertilidade, como fica?
Esse talvez seja o impacto mais doloroso da doença para muitas mulheres. A endometriose pode provocar inflamações, aderências e alterações nos órgãos reprodutivos. Portanto, consequentemente dificultam a fecundação. Entre 30% e 50% das pacientes enfrentam algum grau de infertilidade. Essa estatística ressalta, mais uma vez, a importância do diagnóstico precoce.
Mas mesmo diante desta realidade, nada está perdido. Pois o acompanhamento médico adequado pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida e também aumenta a possibilidade de engravidar.
Quais são as opções de tratamento?

De acordo com a especialista, tudo começa pelo controle clínico. Nessa primeira etapa, geralmente são indicadas terapias hormonais. Como anticoncepcionais orais, DIU hormonal ou outros medicamentos. O objetivo é reduzir a inflamação e suspender o ciclo menstrual temporariamente.
Porém, quando os casos envolvem dores mais severas ou comprometimento de órgãos como intestino e bexiga, a cirurgia entra em cena. Nessas situações, o procedimento preferido é a laparoscopia minimamente invasiva. Pois ela permite remover as lesões e restaurar a anatomia pélvica.
Para mulheres que desejam gestar e enfrentam infertilidade, técnicas como a fertilização in vitro tornam-se aliadas estratégicas. Mas especialmente após a “otimização do ambiente pélvico.” Dra. Nataly Campos, ginecologista
Portanto, existe desde o tratamento clínico até a reprodução assistida. Algumas opções podem aumentar significativamente as possibilidades de uma gestação bem-sucedida.
Então, como bem lembra a Dra. Nataly, identificar os sintomas precocemente pode ser a diferença entre realizar, ou não, o sonho de ser mãe. E isso começa com uma coisa simples: parar de normalizar a dor.
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