Muitas mulheres passam a vida inteira achando que cólica menstrual forte é normal ou “genética da família”. Pois cresceu ouvindo isso da mãe, da avó, das amigas e nunca parou pra questionar se aquilo era, de fato, normal. Então, o resultado é que os sintomas que deveriam ter sido investigados cedo acabam levando anos, às vezes décadas, para chegar ao consultório de um ginecologista.
A ginecologista Camila Bolonhezi, CRM SP 162351, lida com esse cenário com frequência. Segundo ela, o grande obstáculo não é falta de informação médica, mas um hábito cultural: aceitar o desconforto como parte inevitável de ser mulher. “A mulher muitas vezes cresce ouvindo que determinados desconfortos são normais e que precisa simplesmente aprender a conviver com eles. O problema é quando isso faz com que ela adie uma avaliação e passe anos lidando com um sintoma que poderia ser investigado e tratado”, diz.
Afinal, cólica menstrual forte é normal?

A resposta curta é: depende do quanto ela atrapalha a rotina. Sentir algum desconforto durante a menstruação é esperado e não costuma ser motivo de preocupação. Mas o problema começa quando a cólica menstrual forte passa a ditar o dia da mulher. Ou seja, quando ela precisa faltar ao trabalho ou à faculdade, ficar de cama, tomar remédio o tempo todo e ainda assim não sentir alívio.
Esse tipo de dor recorrente é, muitas vezes, a ponta de um problema maior. Endometriose e adenomiose são exemplos de condições que costumam demorar anos para ser diagnosticadas. Pois a cólica é vista muitas vezes como uma “coisa normal do corpo da mulher”, e não como um sintoma a ser investigado.
Segundo Camila, o critério para procurar ajuda não é apenas sentir dor, mas medir o quanto ela pesa na vida da paciente. “O que precisamos observar não é apenas a existência de um sintoma, mas sua intensidade, frequência e impacto na qualidade de vida. Se a mulher deixa de fazer atividades, precisa se medicar frequentemente ou sente que sua rotina é determinada pelo ciclo menstrual, é importante conversar com um ginecologista”, orienta.
E os sintomas da menopausa? Também merecem atenção

A mesma lógica vale para outra fase da vida da mulher: a transição hormonal da perimenopausa e da menopausa. Calor repentino, sono ruim, mudanças de humor, ressecamento vaginal e queda de libido costumam aparecer nesse período. Assim como acontece com a cólica menstrual forte, muitas mulheres acabam simplesmente convivendo com o incômodo por acharem que “é assim mesmo, faz parte da idade”.
Para a Dra Camila Bolonhezi, o fato de ser uma fase natural não significa que o desconforto deva ser encarado sem apoio médico. “A menopausa é uma fase fisiológica, mas isso não significa que todo sintoma precise ser suportado sem acompanhamento. Existem diferentes possibilidades de tratamento e cada mulher precisa ser avaliada individualmente”, explica a ginecologista.
O erro de comparar sintomas nas redes sociais

Um hábito comum e, segundo a especialista, arriscado, é buscar validação em grupos de WhatsApp, comentários de Instagram ou conversas de amigas: “você também sente essa cólica menstrual forte? Então deve ser normal.” Esse tipo de comparação costuma trazer conforto emocional, mas não tem valor médico nenhum.
A Dra Camila explica que a comparação não pode substituir a avaliação médica individual. Embora a experiência de outra mulher possa acolher, cada pessoa é diferente e cada corpo responde de uma forma. Ou seja, o mesmo sintoma pode ter causas diferentes em cada pessoa. Portanto é fundamental ir ao médico com regularidade.
Sinais de que vale a pena marcar uma consulta
Não existe um único sintoma que “prove” que algo está errado, mas alguns sinais funcionam como alerta e merecem avaliação com um ginecologista:
- cólica menstrual forte ou que piora com o tempo;
- sangramento fora do período menstrual;
- ciclo menstrual que muda muito de um mês para o outro;
- dor durante ou depois do sexo;
- incômodo vaginal que não passa;
- queda perceptível na libido;
- sintomas que aparecem ou pioram durante a transição hormonal;
- qualquer mudança no corpo que gere preocupação ou atrapalhe a rotina.
Essa lista serve como referência, não como diagnóstico pronto. A ideia não é que a mulher tente descobrir sozinha o que tem, mas que reconheça o momento de buscar ajuda profissional, mas sem esperar o sintoma virar um problema maior.
“Conhecer o próprio corpo também significa perceber quando alguma coisa mudou. A mulher não precisa esperar anos, nem chegar ao limite do desconforto, para procurar ajuda. A avaliação ginecológica existe justamente para entender o que está acontecendo e, quando necessário, buscar uma solução”, conclui a ginecologista.
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