Nos últimos tempos, vídeos de crianças mostrando rotinas de beleza cheias de etapas, encheu as redes sociais. Elas aparecem passando máscaras, entre outros produtos e esses vídeos chegam a milhões de visualizações. Por isso, muitos pais começam a se perguntar se os filhos também precisam de tudo isso. A resposta dos especialistas é clara: não precisam. Na verdade, os cuidados com a pele da criança são simples, baratos e fáceis de manter. Além disso, o excesso de produtos pode causar irritações, alergias e até preocupações emocionais que não combinam com a infância.
Por que tanta criança quer fazer skincare hoje?

Antes de falar sobre a pele, vale entender de onde vem essa vontade. Crianças e pré-adolescentes passam muito tempo nas redes sociais. Lá, eles veem influenciadores mostrando suas rotinas de beleza como se fossem algo obrigatório. Como as crianças gostam de imitar os adultos, elas logo querem os mesmos produtos.
Além disso, muitos desses vídeos são feitos para o público adulto. Por isso, quase nunca avisam que aqueles cosméticos não servem para crianças. Como resultado, a criança pode achar que precisa daqueles produtos para ser bonita ou para ser aceita pelos colegas. Ou seja, uma necessidade que não existe acaba sendo criada por um simples vídeo.
Por que a pele infantil precisa de atenção especial?
Em primeiro lugar, é importante saber que a pele infantil é diferente da pele do adulto. Segundo a dermatologista Andressa Meline (CRM 28.580/GO), professora da pós-graduação em Dermatologia da Afya Goiânia, a pele da criança é mais fina. Além disso, a barreira cutânea, que é a camada que protege o corpo contra agressões, ainda está em formação. Por isso, os cuidados com a pele da criança precisam ser diferentes dos cuidados com a pele do adulto.
Por causa disso, algumas substâncias dos cosméticos entram na pele com mais facilidade. Consequentemente, o risco de irritação aumenta. A médica explica que a criança também não tem as mesmas necessidades de um adulto. “A criança não possui as mesmas necessidades dermatológicas de um adulto, como prevenção do envelhecimento ou tratamento de manchas”, enfatiza.
Ela ainda afirma que a literatura científica não apoia rotinas longas de cuidados para crianças saudáveis. Pelo contrário, quando há produtos demais, a proteção natural da pele pode ser prejudicada.
Quais riscos os produtos de adultos trazem?

Muita gente acredita que um pouco de creme ou sérum não faz mal. No entanto, os cosméticos para adultos costumam ter ácidos, esfoliantes e ativos anti-idade que são fortes demais para a pele infantil. Entre os problemas mais comuns, estão:
- vermelhidão e coceira;
- ressecamento;
- sensibilização da pele;
- alergias;
- inflamações;
- infecções, em casos mais sérios.
Para explicar o que acontece, a Dra. Andressa usa uma comparação simples. “A barreira cutânea funciona como um escudo. Quando ela é agredida por produtos inadequados, a pele perde água, torna-se mais sensível e fica mais vulnerável a irritações, alergias, inflamações e até infecções”, destaca. Assim, o que parecia um cuidado acaba virando um problema.
Da mesma forma, usar vários produtos ao mesmo tempo aumenta o contato da criança com substâncias que podem causar reações. Por isso, quanto mais produtos, maior é a chance de a pele reagir mal.
O impacto emocional também é importante
Por outro lado, os riscos não ficam só na pele. A pediatra Isabela Pires, professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, explica que a busca cedo demais por padrões de beleza pode reforçar a adultização infantil.
Esse termo descreve situações em que a criança passa a agir e a se preocupar como um adulto. Dessa maneira, ela pode ficar com uma atenção exagerada à aparência, influenciada por conteúdos que não foram feitos para a sua idade. Enquanto isso, a infância, que deveria ser um tempo de brincar, aprender e criar autoestima, passa a ser ocupada por cobranças estéticas.
Além disso, a criança pode se sentir insegura se não tiver os mesmos produtos que aparecem nos vídeos. Então, ela cria expectativas que não combinam com a sua fase da vida. Por esse motivo, os pais precisam acompanhar o que os filhos assistem na internet.
O que fazer: cuidados básicos com a pele da criança

Agora que você já conhece os riscos, veja o que realmente funciona. Para a maioria das crianças saudáveis, os cuidados se resumem a três pontos simples.
1. Higiene do jeito certo
O banho deve ser rápido, com água morna e sabonete suave. Isso porque a água muito quente e os banhos longos retiram a proteção natural da pele. Portanto, quanto mais simples e curto o banho, melhor.
2. Hidratação da pele
Se a pele estiver seca, ou se houver uma condição como a dermatite atópica, um hidratante próprio para a idade pode ajudar. Nesses casos, o ideal é seguir a orientação de um profissional de saúde.
3. Protetor solar todos os dias
O protetor solar é o único item considerado indispensável. Para crianças acima de seis meses, ele ajuda a evitar queimaduras e os danos causados pelos raios ultravioleta. Além disso, ele protege a saúde da pele por toda a vida. Por isso, escolha sempre um produto indicado para o público infantil.
A Dra. Andressa resume bem essa ideia: “Na maioria das vezes, menos é mais quando falamos de cuidados com a pele infantil. Crianças não precisam de rotinas complexas nem de produtos voltados para adultos.”
O que evitar? Cuidado com a composição dos cosméticos

Mesmo os produtos feitos para o skincare infantil pedem atenção. Nem tudo que tem um desenho divertido na embalagem é a melhor escolha. Por isso, os especialistas orientam a ler o rótulo com calma. O ideal é evitar itens com muito perfume, corantes e aditivos desnecessários, já que eles podem sensibilizar a pele.
Outro alerta envolve os disruptores endócrinos. São substâncias que podem estar presentes em alguns cosméticos e que podem atrapalhar o equilíbrio dos hormônios. Como a infância é uma fase importante do desenvolvimento, o melhor é evitar essa exposição sempre que possível.
Boas práticas para os pais
Para facilitar o seu dia a dia, veja um resumo das principais orientações das especialistas:
- Mantenha a rotina simples. Foque em higiene, hidratação quando preciso e proteção solar, sempre com produtos próprios para crianças.
- Escolha sabonetes suaves. Evite banhos muito quentes ou longos e prefira produtos com poucos perfumes, corantes e aditivos.
- Não use produtos de adultos. Ácidos e séruns só devem ser usados com indicação médica.
- Evite exageros. Não passe vários produtos ao mesmo tempo na pele da criança.
- Não divida cosméticos. Maquiagens e cremes de adultos não devem ser usados por crianças.
- Fuja das modas da internet. Produtos que viralizam só devem ser usados se forem indicados para o público infantil.
- Faça um teste antes. Ao começar um produto novo, aplique em uma pequena área e observe se aparecem vermelhidão, coceira, ardência ou descamação.
- Converse com seus filhos. Explique que nem todo produto que aparece nas redes sociais é para idade deles.
- Valorize a saúde e o bem-estar. Incentive bons hábitos e evite despertar preocupações com a aparência cedo demais.
Na prática, como eu faço aqui em casa?
Eu tenho duas filhas, uma de 6 anos e outra de 3. Gosto muito de compartilhar meu autocuidado com elas porque acredito que isso incentiva elas a se amarem e se respeitarem. Então, aproveito este momento para explicar que elas não podem usar os meus produtos e sim apenas os indicados para idade delas. Se cuidar junto com as crianças é um ótimo momento de conexão, vocês passam mais tempo juntas.
Veja como cuidar da pele do bebê no link abaixo:
Aqui em casa eu gosto e usar nas meninas os produtos da Granado e da Mustela:
Sugestões
Quando procurar um médico?

Se você tem dúvidas sobre os cuidados com a pele da criança, ou se notar mudanças que não passam, procure um pediatra ou um dermatologista. Afinal, somente um profissional pode avaliar cada caso e indicar o produto certo. Do mesmo modo, quando existir uma condição específica, como a dermatite atópica, o acompanhamento médico é essencial.
A infância não precisa de pressa
Em resumo, os cuidados com a pele da criança devem ser simples. Banho suave, hidratação quando necessário e protetor solar todos os dias já bastam para manter a pele saudável. Por outro lado, as rotinas longas que aparecem nas redes sociais podem causar irritação, alergias e até inseguranças.
Para a Dra. Isabela Pires, a principal mensagem para os pais é lembrar que a infância não precisa ser acelerada. “Crianças precisam de amor, atenção, brincadeiras e cuidados adequados à sua idade”, afirma. Portanto, a melhor rotina é aquela baseada em proteção, simplicidade e, quando necessário, orientação profissional.
Perguntas frequentes sobre os cuidados com a pele da criança
Quais são os cuidados básicos com a pele da criança?
Banho rápido com água morna e sabonete suave, hidratante quando a pele estiver seca e protetor solar todos os dias.
Criança pode usar ácidos e séruns?
Não, a menos que um médico indique. Esses produtos são feitos para adultos e podem irritar a pele infantil.
A partir de que idade a criança pode usar protetor solar?
De acordo com as especialistas, o uso é indicado para crianças acima de seis meses, sempre com produtos próprios para essa faixa etária.
Como saber se um produto causou reação?
Fique atento a vermelhidão, coceira, ardência e descamação. Se isso acontecer, pare de usar o produto e procure um profissional.
Criança pode usar os cosméticos dos pais?
Não. Os produtos de adultos não foram feitos para a pele infantil, e dividir cosméticos aumenta o risco de reações.
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