As tendências dos desfiles de moda da temporada Primavera/Verão 2027 já estão definidas: o Fashion Month chegou ao fim, e as passarelas de Nova York, Londres, Milão e Paris mostraram o que vem por aí. Mas as tendências de moda 2027 vão além de peças e estilos que devem chegar às lojas. Elas contam como a gente anda se relacionando com a roupa, com a própria imagem e com o consumo.
Para a empresária Cris Lidório, fundadora e diretora-criativa da Lustic, o segredo está em olhar para esses sinais sem sair copiando tudo. O desafio, segundo ela, é entender quais movimentos têm força para durar mais do que uma estação.
“Uma semana de moda não deve ser interpretada apenas como um catálogo do que vamos usar nos próximos meses. Ela é um retrato do comportamento e de como estamos nos relacionando com a roupa, com a nossa imagem e com o consumo. O mais interessante é identificar aquilo que aparece de formas diferentes em várias passarelas e entender por que esse movimento está acontecendo”, afirma Cris.
A partir desse olhar, ela separou cinco tendências dos desfiles de moda que ganharam força durante o Fashion Month e que devem influenciar o próximo ciclo. Vamos a elas.
1. Feminilidade mais livre: delicadeza e força no mesmo look

Saias, transparências, drapeados, tecidos fluidos e silhuetas que valorizam o corpo apareceram em muitas coleções. Em Milão, a Prada colocou as saias no centro da coleção, brincando com diferentes comprimentos e construções. A Fendi também trouxe a lingerie e o corpo como parte importante da composição. Já em Paris, a feminilidade ganhou um ar mais sofisticado e sensual em marcas como Saint Laurent e Chloé.
O mais interessante é que não se trata apenas de “voltar ao feminino”. A novidade está na mistura: esses códigos aparecem combinados com peças estruturadas, esportivas e utilitárias.
“Estamos vendo uma feminilidade menos literal. A transparência, por exemplo, pode aparecer com uma construção mais sofisticada; a saia pode ser combinada a uma peça de alfaiataria; e uma silhueta mais delicada pode ganhar força quando colocada em contraste com elementos mais estruturados. Isso mostra que a mulher não precisa escolher entre delicadeza e força na hora de se vestir”, explica Cris.
Em outras palavras: nas tendências dos desfiles de moda, você pode ser delicada e forte ao mesmo tempo, e a roupa pode dizer isso por você.
2. Alfaiataria sem rigidez: mais leveza e mais usos

A alfaiataria segue entre os códigos mais importantes da moda, mas está cada vez mais longe daquela ideia de roupa séria, só para ocasiões formais. A Miu Miu levou essa mistura ao extremo: combinou blazers e peças de alfaiataria com shorts esportivos, tops e tênis. A mensagem é clara: o sofisticado e o casual podem andar lado a lado.
“Uma das coisas mais interessantes é perceber que a alfaiataria não precisa mais representar formalidade. Ela pode ser desestruturada, ganhar movimento e conversar com diferentes códigos. Isso amplia muito a vida útil de uma peça, porque ela deixa de estar presa a uma única ocasião”, afirma Cris.
Na prática, esta é uma das tendências dos desfiles de moda que traz mais liberdade para usar a mesma peça de jeitos diferentes, sem depender de um único tipo de compromisso.
3. Cores em destaque, sem abandonar os neutros

As quatro semanas de moda mostraram que o próximo ciclo traz uma relação mais solta com as cores. Ao lado dos tons neutros e clássicos, as passarelas apresentaram combinações vibrantes, contrastes e tonalidades capazes de transformar uma produção inteira.
Só que, para Cris, o ponto principal não é escolher a “cor da temporada”. O que importa é como a cor ajuda a construir a sua identidade.
“Não acredito que o próximo ciclo será definido por uma única cartela. O que aparece é uma liberdade maior para combinar. Os tons mais vibrantes entram como pontos de personalidade, enquanto os neutros continuam funcionando como base. Isso conversa diretamente com um consumidor que quer experimentar, mas também quer fazer escolhas que continuem funcionando depois da temporada”, analisa.
Traduzindo: dá para se divertir com a cor sem perder a base que funciona no dia a dia.
4. Acessórios no centro da cena

Sapatos, bolsas, joias e outros acessórios ganharam espaço nas tendências dos desfiles de moda como peças capazes de mudar completamente um visual. Em Paris, várias grifes usaram o acessório como o ponto de personalidade da produção. Isso reforça uma ideia que vem crescendo: nem sempre é preciso renovar o guarda-roupa inteiro para entrar numa nova estética.
“Os acessórios têm uma capacidade muito particular de atualizar uma produção. Um sapato pode mudar completamente a leitura de uma roupa que já existe no armário. Por isso, eles são importantes não apenas como tendência, mas como uma forma mais inteligente de experimentar a moda”, pontua Cris.
É um jeito mais leve de se renovar: você aproveita o que já tem e testa novidades por meio de um detalhe.
5. Textura, acabamento e trabalho manual ganham valor

No meio de tanta velocidade, as tendências dos desfiles de moda também chamaram atenção para o que a gente percebe nos detalhes. Texturas, bordados, aplicações, materiais diferenciados e técnicas artesanais apareceram como formas de criar peças com mais profundidade visual e sensorial.
Em Paris, a Chanel explorou bordados, pedrarias e superfícies trabalhadas. A Dior apresentou peças com pétalas de organza, tules e seda com aplicações de renda, entre outros materiais que mostram como o acabamento faz diferença.
Para Cris, esse movimento é especialmente importante agora, porque o consumidor começa a olhar com mais atenção não só para a aparência de um produto, mas também para a forma como ele é feito.
“Quando o consumidor começa a questionar mais o que compra, a qualidade passa a ser parte importante do desejo. Uma peça pode chamar atenção pela tendência, mas é o material, o acabamento, a construção e a possibilidade de continuar sendo usada que ajudam a determinar seu valor no longo prazo”, afirma.
O que as tendências dos desfiles de moda dizem sobre o nosso momento?
Se juntarmos as cinco tendências dos desfiles de moda, aparece um fio condutor: mais liberdade para combinar, mais atenção à identidade e mais cuidado com as escolhas. A feminilidade não precisa ser literal. A alfaiataria não precisa ser formal. A cor pode ser ponto de personalidade, e o neutro continua como base. O acessório renova o que já existe, e a qualidade passa a fazer parte do desejo.
É por isso que, na visão de Cris, olhar para as tendências dos desfiles de moda como um retrato do comportamento ajuda a escolher melhor. Em vez de seguir tudo o que aparece nas passarelas, vale perceber o que faz sentido para o seu estilo e o que tem potencial de continuar funcionando depois da temporada.
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