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menopausa intima medica esclarece duvidas e como tratar

Ardor, ressecamento ou dor durante a relação. Além disso, pequenos escapes, sensação de peso e desconforto na região íntima. Durante muito tempo, esses sintomas foram tratados como algo “normal” da idade. Ou seja, como se toda mulher simplesmente precisasse aceitar essa fase em silêncio.

No entanto, hoje essa conversa mudou. Felizmente, com os avanços da medicina e, principalmente, com o acesso a tratamentos menos invasivos, cada vez mais mulheres estão buscando ajuda para tratar a menopausa íntima e, assim, recuperar conforto, segurança e qualidade de vida.

Afinal, a menopausa não representa o fim da vitalidade feminina. Pelo contrário, ela pode ser, ao mesmo tempo, uma fase de transição e também de autocuidado consciente.

O que acontece na menopausa íntima?

Menopausa íntima: como recuperar conforto
Foto de Daria Liudnaya – Pexels

Antes de tudo, é importante entender o que realmente muda no corpo. A menopausa acontece quando há uma queda significativa do estrogênio, hormônio responsável por manter os tecidos vaginais hidratados, elásticos e saudáveis. Como consequência, começam a surgir alterações estruturais e funcionais que impactam diretamente a região íntima.

Entre as mudanças mais comuns da menopausa íntima, estão:

  • afinamento e ressecamento da mucosa vaginal
  • perda de elasticidade
  • redução da lubrificação natural
  • maior sensibilidade da região íntima
  • alterações no assoalho pélvico
  • mudanças na função intestinal

Esse conjunto de sintomas é conhecido como síndrome geniturinária da menopausa. Segundo estudos internacionais, essa condição pode atingir mais da metade das mulheres nessa fase da vida.

Além do impacto físico, a menopausa íntima também interfere na autoestima, na vida sexual e, consequentemente, na vida social.

“Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que deixaram de ter relação ou passaram a evitar atividades simples por causa do desconforto íntimo. O mais preocupante é que muitas acreditam que isso é normal e inevitável”, explica a médica Amanda Vilas Calheiros (CRM: 186144-SP), especialista em saúde íntima feminina, com formação pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Sintomas que não devem ser ignorados

Embora a menopausa seja um processo natural, os sintomas da menopausa íntima não precisam e nem devem, ser normalizados quando passam a interferir na rotina.

Entre os sinais mais frequentes, estão:

  • dor na relação sexual
  • ardor persistente
  • coceira
  • ressecamento intenso
  • sensação de peso íntimo
  • escapes de gases ou fezes
  • dificuldade para ir ao banheiro
  • hemorroidas recorrentes
  • desconforto ao sentar

Segundo a especialista, muitas mulheres só procuram ajuda quando a dor já está intensa. No entanto, o ideal é buscar avaliação logo nos primeiros sinais. Dessa forma, é possível evitar agravamentos e, ao mesmo tempo, reduzir o sofrimento prolongado.

Região íntima, intestino e assoalho pélvico: tudo está conectado

Além disso, existe um ponto pouco discutido quando o assunto é menopausa íntima: a relação direta entre a vagina, o intestino e o assoalho pélvico.

Com a queda hormonal, os tecidos perdem sustentação e elasticidade. Então, funções como evacuação, continência e até mesmo o conforto durante a relação podem ser afetadas.

“Muitos sintomas que parecem ginecológicos têm origem funcional, envolvendo musculatura, nervos e a coordenação do assoalho pélvico. Então, quando tratamos apenas a superfície, sem avaliar a função, o problema tende a persistir”, explica a Dra. Amanda Calheiros.

Por isso, cada vez mais especialistas defendem uma abordagem integrada. Ou seja, em vez de olhar apenas para a estética, o foco deve estar, principalmente, na função e na saúde global da mulher.

Procedimentos para menopausa íntima: o que realmente funciona?

Menopausa íntima: como recuperar conforto
Foto de Ron Lach – Pexels

Nos últimos anos, surgiram tratamentos menos agressivos para aliviar os sintomas da menopausa íntima. Como é o caso do laser de CO₂.

Estudos indicam que essa tecnologia pode estimular a produção de colágeno e, além disso, melhorar a circulação local. Como resultado, há redução de sintomas como dor e ressecamento. Em alguns casos, inclusive, os efeitos podem se aproximar dos obtidos com terapias hormonais, especialmente para mulheres que não podem realizar reposição.

No entanto, a especialista faz um alerta importante:

“O laser é uma ferramenta médica, não um tratamento de moda. Por isso ele deve ser indicado após avaliação completa, considerando os sintomas, a história clínica e as necessidades de cada paciente”, afirma.

O laser dói? Confira o que a Dra Amanda diz:

Além dessa opção, técnicas minimamente invasivas também têm sido utilizadas para tratar hemorroidas e outras condições anorretais associadas à menopausa íntima. Dessa maneira, é possível proporcionar menos dor e, ao mesmo tempo, uma recuperação mais rápida.

Não é vaidade. É saúde.

Ainda existe um tabu em torno dos procedimentos íntimos. Muitas pessoas, por exemplo, associam esse tipo de tratamento apenas à estética. Porém, na prática, a maioria das mulheres procura ajuda por dor, desconforto ou perda de qualidade de vida.

“O erro é achar que o objetivo é apenas estético. Pois na verdade, na menopausa, muitas mulheres querem voltar a sentar sem dor, ter relação sem desconforto ou simplesmente se sentir bem no próprio corpo”, explica Amanda.

Ou seja, quando falamos de menopausa íntima, estamos falando de função, bem-estar e autonomia. A estética saudável, portanto, é apenas consequência de tecidos bem cuidados e sem dor.

Quando procurar ajuda na menopausa íntima

A orientação médica é clara: sempre que houver sintomas persistentes, é hora de buscar avaliação.

Especialmente nos casos de:

  • dor na relação
  • ressecamento constante
  • ardor recorrente
  • escapes intestinais
  • dificuldade para evacuar
  • sensação de peso íntimo
  • hemorroidas frequentes

Segundo a especialista, a menopausa não deve ser sinônimo de dor. Pois ela alerta que, quando a mulher começa a mudar seus hábitos para evitar desconfortos íntimos, isso já é um sinal claro de que o corpo está pedindo atenção.

Uma nova forma de viver a maturidade

Menopausa íntima: como recuperar conforto
Foto de www.kaboompics.com – pexels

Hoje, as mulheres vivem mais e, além disso, permanecem ativas por décadas após a menopausa. Trabalham, viajam, praticam exercícios e mantêm vida sexual.

Portanto, aceitar sofrimento como parte inevitável do envelhecimento já não faz sentido.

A Dra. Amanda Vilas Calheiros conclui que a mulher não precisa aceitar o sofrimento como parte natural do envelhecimento, já que, atualmente, existem recursos capazes de tratar os sintomas da menopausa íntima e, assim, devolver qualidade de vida.

E aqui na CHARME-SE, reforçamos: menopausa íntima não é sentença. É um convite ao cuidado.


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