Logo Charme-se
Pele na Menopausa A Queda Drástica do Colágeno

Se você está na menopausa, provavelmente já percebeu algumas mudanças. Talvez tenha até se perguntado se era impressão sua. A pele na menopausa fica mais fina, mais seca e visivelmente menos firme. Aos poucos, o contorno do rosto se transforma. Com isso a textura muda e, da mesma forma, a resposta aos produtos já não é a mesma.

No entanto, isso não é exagero.
E, acima de tudo, não é simplesmente “coisa da idade”.

Ainda assim, há um ponto que quase ninguém fala. Compreender a menopausa não é relevante apenas para quem está passando por esta fase. Pelo contrário, trata-se de um conhecimento essencial também para mulheres mais jovens que, desde já, desejam se preparar com consciência.

Afinal, a menopausa não acontece de forma repentina; na verdade, é uma transição biológica gradual que começa silenciosamente muito antes de os sintomas se tornarem evidentes. Por isso, quando você entende esse processo com antecedência, não apenas reduz a surpresa diante das mudanças, mas também ganha mais equilíbrio, informação e segurança para atravessá-lo da melhor maneira possível.

Médica explica sobre as mudanças da pele na menopausa

Foto de Teona Swift

A médica Isabel Martinez, (CRM-SP 115398 | Coren-SP 89562), compartilha o que os estudos mais atuais mostram sobre essa fase e como atravessá-la com mais estratégia e menos susto.

A médica explica que, uma das descobertas mais impactantes da dermatologia é que nos primeiros cinco anos de menopausa, a pele pode perder até 30% do seu colágeno total.

“Não em décadas. Em cinco anos. E esse número não depende da sua idade. Pois, na verdade, depende de quanto tempo faz que a menopausa começou. Uma mulher de 42 com menopausa precoce pode ter a mesma perda de colágeno que uma de 58. É por isso que a menopausa não é “envelhecimento”.

É uma transição. O corpo todo muda de regime e a pele é o primeiro lugar onde isso aparece. Na prática, o que acontece é um efeito dominó: a pele na menopausa fica mais fina (menos colágeno), mais seca (menos oleosidade natural e menos ácido hialurônico), mais sensível (a barreira enfraquece), mais flácida (as fibras elásticas se desorganizam) e cicatriza mais devagar (porque o fluxo sanguíneo na derme diminui). Tudo ao mesmo tempo”. Explica a Dra.

1) O papel das “células-zumbi” no envelhecimento da pele

Em 2025, pesquisadores da Mayo Clinic e da Charité – Universitätsmedizin Berlin destacaram um fator pouco falado no envelhecimento cutâneo: as células senescentes.

Em termos simples, são células que já deveriam ter sido eliminadas, porém continuam no tecido sem exercer sua função corretamente. Segundo a médica, elas deixam de trabalhar, mas permanecem ativas liberando substâncias inflamatórias que prejudicam as células saudáveis ao redor.

De acordo com ela, esse conjunto de substâncias inflamatórias, que são chamadas de SASP, acelera a quebra de colágeno. Por isso, aumenta o estresse oxidativo e ainda estimula mais inflamação, criando um ciclo contínuo. Além disso, a especialista explica que o estrogênio ajudava a controlar esse acúmulo; portanto, com a queda hormonal na menopausa, essas células tendem a se acumular mais rapidamente.

Ela também esclarece que já existem pesquisas sobre ativos capazes de eliminar ou neutralizar essas células, como os senolíticos e senomórficos. Entretanto, enquanto algumas substâncias naturais estejam sendo estudadas, esses recursos ainda não fazem parte da prática clínica.

2) O microbioma da pele também se transforma

Assim como o intestino, a pele possui um conjunto próprio de microrganismos que ajudam na proteção e no equilíbrio. No entanto, durante a menopausa, isso também se altera.

Estudos recentes mostram que mulheres após a menopausa apresentam redução de bactérias benéficas, como Lactobacillus, na pele do rosto. Além disso, os pesquisadores observaram que o estágio da menopausa influencia mais o perfil microbiano do que a própria idade cronológica.

Segundo Martinez, isso significa que cuidar da pele na menopausa exige atenção ao microbioma. Portanto, o uso excessivo de produtos agressivos pode piorar o desequilíbrio. Ela esclarece que o futuro do tratamento dermatológico para essa fase envolve também preservar as bactérias “boas”.

3) Por que a pele fica tão seca?

Pele na Menopausa: A Queda Drástica do Colágeno
Foto de Angela Roma

De acordo com a médica, o ressecamento é a queixa mais frequente no consultório. Contudo, ela afirma que a explicação vai além da falta de hidratante.

Ela explica que, na menopausa, há redução do ácido hialurônico, diminuição da produção de óleo pelas glândulas sebáceas, afinamento da epiderme e desorganização do microbioma. Consequentemente, a pele perde água com mais facilidade e a barreira protetora se enfraquece.

Por isso, a especialista orienta que o tratamento seja feito por etapas: primeiro, reconstruir a barreira com ceramidas e limpeza suave. Depois, reforçar a retenção de água com ativos umectantes; e, quando indicado, avaliar a questão hormonal.

4) O que realmente apresenta resultado

Pele na Menopausa A Queda Drástica do Colágeno
Foto de www.kaboompics.com

A Dra. Isabel Martinez destaca que é essencial diferenciar tendência de evidência científica.

Entre os ativos com comprovação consistente, ela cita os retinoides, que estimulam a produção de colágeno, embora exijam adaptação gradual na pele mais sensível. Além disso, a vitamina C participa diretamente da formação do colágeno, enquanto a niacinamida fortalece a barreira cutânea e melhora a hidratação.

O ácido hialurônico, especialmente em diferentes tamanhos de molécula, ajuda tanto na proteção superficial quanto na hidratação mais profunda. Já o colágeno hidrolisado oral apresenta estudos mostrando melhora na elasticidade e firmeza, atuando como estímulo para que a pele produza mais colágeno.

Por outro lado, ingredientes como bakuchiol e fitoestrógenos tópicos demonstram potencial promissor; entretanto, ainda precisam de mais pesquisas. Da mesma forma, terapias voltadas para células senescentes e microbioma seguem em fase de estudo, e, segundo a médica, não devem ser usadas sem orientação adequada.


Alguns links indicados neste artigo podem ser afiliados. A CHARME-SE atua como revista digital e não realiza vendas. Todo o processo de compra, pagamento e entrega é de responsabilidade do lojista. Ao comprar por meio desses links, você contribui para que continuemos produzindo conteúdos de beleza, moda e autocuidado — sem custo adicional para você.

aproveite e veja também

Comentários

Declaro que li e concordo com a política de privacidade.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.